sexta-feira, 7 de abril de 2017

Artigo: os boatos na internet que podem custar (ou custaram) vidas inocentes.

Os boatos na internet que podem custar (ou custaram) vidas inocentes.
O CARRO DE LUIZ AURÉLIO FOI INCENDIADO SEM ELE COMETER NENHUM CRIME.
Por: Cláudio Florenzano*

A tão sonhada era digital, modernidade e comunicação chegou neste século. A rapidez da informação é fator vital de sucesso para alguns setores, com o advento dos apps de comunicação, como o WhatsApp, Telegram, dentre outros, podemos conversar com qualquer um em várias partes do planeta.

Mas essa rapidez que invade nossos lares, não muda o pensamento ou cultura das pessoas na mesma velocidade. Este artigo reflete um pouco sobre os "boatos de internet" que já custou a vida de pessoas inocentes e pode custar até a sua no futuro ninguém está livre deste novo mal, é preciso acender a luz vermelha para isso, milhões de pessoas tem acesso aos aplicativos de mensagens, mas não tem preparo ou consciência da magnitude que pode alcançar os seus atos, podendo ocasionar verdadeiras tragédias.

Multidão tenta linchar casal após boato de sequestro em WhatsApp.

Uma multidão tentou linchar um homem e uma mulher depois que boatos sobre o possível sequestro de uma criança começaram a circular em mensagens no aplicativo WhatsApp. Segundo informações da Polícia Civil, as vítimas foram apontadas como autoras do crime na história que viralizou (viralizar é o ato de algo se espalhar rapidamente) e levou a agressão em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, na quarta-feira (5 de Abril de 2017). O homem e a mulher foram cercados dentro do carro em que estavam e sofreram agressões de pessoas desconhecidas. A Guarda Civil e a Polícia Militar foram acionadas e retiraram as vítimas do local.

As fotos do carro branco e áudios foram compartilhados pela população local. Em um dos relatos, um homem "afirma" ser pai de uma criança vítima do casal. Na mensagem ele diz que é para as pessoas tomarem cuidado porque o homem e a mulher estavam abordando crianças e tentando levá-las para dentro do carro.

O motorista do veículo cuja foto circulou pelo aplicativo, Luiz Aurélio de Paula, disse que até tentou se explicar para a população revoltada, antes que as agressões começassem. Ele relatou que um grupo invadiu o carro. Para tentar se defender, ele dirigiu até uma padaria para tentar provar aos moradores que estava trabalhando como vendedor.

Apesar das explicações, as agressões tiveram início e o número de agressores foi crescendo. De acordo com a Guarda Civil e a PM, cerca de 200 pessoas se aglomeraram em volta do carro e atuaram no crime. O casal foi salvo da morte pelas polícias militar e guarda municipal, mas teve o carro queimado, sem motivo nenhum por um crime que não cometeram.

Mulher espancada após boatos em rede social morre em Guarujá-SP.

A dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morreu numa manhã de segunda-feira (5 de maio de 2014), dois dias após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a família, ela foi agredida a partir de um boato gerado por uma página em uma rede social (Facebook) que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças (O mesmo motivo do caso acima) para utilizá-las em rituais de magia negra.

De acordo com familiares de Fabiane, após as agressões, ela sofreu traumatismo craniano e foi internada em estado crítico no Hospital Santo Amaro, também em Guarujá. Minutos após a agressão, a Polícia Militar chegou a isolar o corpo de Fabiane acreditando que ela estava morta após o espancamento. Na manhã da segunda-feira, porém, a família recebeu a informação de que Fabiane não resistiu aos ferimentos e morreu.

Refletindo sobre o grave problema

Como podemos ver nos casos citados acima, sempre tem "alguém que disse, porque o outro disse".  É o suficiente para uma determinada população, se incendiar e agredir gratuitamente inocentes. 

Nada justifica tais atos, mas alguns fatores podem levar a isso:

Violência urbana com uma série de crimes reais em que as pessoas tem sede de vingança;

Falta de educação, nosso país é um dos que menos investem em educação digital; 

A própria facilidade em compartilhar, induz as pessoas ao erro, mesmo aquelas na teoria dotadas de maior conhecimento;

Sede por registrar algo e não se importando com o próximo, cito aquelas pessoas que tiram fotos de acidentes e mortos. Apenas para ganhar likes;

Pessoas de gerações em que não existia tais tecnologias, mostram maior despreparo em diferenciar as coisas;

A pura maldade (ser bandido) para espalhar o terror em determinada situação;

A pura ignorância?! 

Claro que podemos citar diversos outros fatores, mas mesmo assim fica algo inexplicável, que com certeza deveria envolver um estudo de caso, mas creio que a principal é a falta de educação tecnológica, pessoas leigas que se deixam levar facilmente por algo, pelo simples fato de não aprenderem a como se comportar no mundo virtual, agindo como se estivesse no mundo real. Não é atoa que após uma chuva de sites com notícias falsas, o Facebook resolveu aplicar uma ferramenta para denunciar este tipo de notícia. As próprias redes sociais tem o dever de buscar soluções para mitigar isso. Temos que parar e refletir, as mentiras ou boatos, podem mudar até o rumo de uma nação inteira (é só ver a eleição recente americana), a tecnologia veio para aproximar as pessoas e não para virar instrumento de guerra entre elas.

*CEO do CBSI, Especialista em Segurança da Informação e Gestor de Tecnologia da Informação.





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