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Técnico e estudante de Informática, desenvolvem luva que traduz a Libras.

Técnico e estudante de Informática, desenvolvem luva que traduz a Libras.
Dois jovens mato-grossenses criaram uma luva que decodifica em áudio os movimentos da Língua Brasileira de Sinais (Libras). João Gabriel dos Santos França, de 16 anos, que cursa o 1º ano do ensino técnico em informática na Escola Estadual Oscar Soares, em Juara, a 690 km de Cuiabá, e o amigo dele, o técnico em informática Adriano dos Santos Freide, de 19, desenvolveram o equipamento com a ajuda do professor Cleber Severino Guedes. O equipamento, que ainda é um protótipo, tem o objetivo de promover a inclusão de deficientes auditivos e ouvintes e facilitar o acesso ao produto que já existe. “Identificamos três equipamentos, ao redor do mundo, que trazem essa ideia. O problema é que eles são caros e de difícil acesso. Nossa intenção é baratear a tecnologia para deixá-la acessível”, conta João Gabriel. O acessório, que parece ter surgido de um filme de ficção científica, é simples em sua concepção. “A luva está equipada com sensores, nas pontas dos dedos, que capturam, de forma tridimensional, os movimentos das mãos. Ela [luva] está, ainda, interligada a uma placa que decodifica esses movimentos e os transformam em áudio, que pode ser reproduzido em uma caixa de som, por exemplo. A sonoridade das letras está em um cartão de memória instalado na lateral do equipamento”, explica Adriano, didaticamente.

O projeto demorou oito dias para ser confeccionado. Ele vem sendo pensado, porém, há mais de três meses, segundo o trio. A ideia foi do próprio professor Cléber e apoiada por João Gabriel - que confessa amar a área de robótica - e Adriano. Para a elaboração do equipamento, os estudantes se utilizaram de objetos de baixo custo.

Quase tudo nós conseguimos com o apoio da direção de nossa escola. Ou eles nos forneciam ou nos davam um auxílio para conseguirmos. A luva nós pegamos do próprio pessoal que fala libras. O equipamento que segura a placa é uma braçadeira usada por corredores. Outros equipamentos foram pegos de computadores sem utilização e etc”, relata João Gabriel.

Apesar do baixo custo e da rapidez da construção do equipamento, algumas dificuldades surgiram no projeto. “A programação do software foi a parte mais complicada. A Libras é uma língua um pouco difícil, com movimentos complexos para a máquina. Conseguir fazer nossa placa entender e gravar todos esses movimentos foi a parte mais difícil”, afirma o professor Cléber.

Com essas dificuldades, o alfabeto da Língua de Sinais ainda não está completo no produto e deve ser aperfeiçoado com o andamento do projeto. “Pretendemos ainda diminuir a fiação e construir uma segunda luva, para que elas possam ler não apenas letras, mas sim sílabas e palavras completas”, revela João Gabriel.

A apresentação do protótipo aconteceu na VII Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação que aconteceu no período de 6 a 8 de outubro no Cenarium Rural, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá. A feira comemorou a 12ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e eventos semelhantes acontecerão em todo o Brasil. Em Cuiabá, uma das principais atrações foi uma palestra de Marcos Cesar Pontes, o primeiro astronauta brasileiro.

Benefícios

A professora de Letras/Libras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Tatianne Fernanda Lopes Hardoim afirma que esse tipo de iniciativa é extremamente importante tanto para deficientes auditivos quanto para a sociedade. A docente explica que existem alguns aplicativos que traduzem as palavras em português para libras, mas, que esses programas têm algumas dificuldades em relação às palavras homônimas [que tem a mesma grafia], por exemplo. Tatianne lembra que alguns desses problemas são compartilhados pelos próprios falantes da língua de sinais. “A libras é uma língua relativamente nova, então, ela ainda está sendo desenvolvida e aperfeiçoada. Gírias e regionalismos são complicados para pessoas de fora de alguns lugares compreenderem. Mas, nós temos muita gente trabalhando para diminuir essas dificuldades. Alguns pesquisadores estão desenvolvendo termos de áreas específicas como o direito, a física e a biologia, como é o meu caso”, aponta. Ela conta que metade de uma turma em que leciona é surda e revela alguma das dificuldades. “Muitos me contam, diariamente, da dificuldade que é conseguir o acesso a alguns serviços básicos. Em muitos lugares os profissionais não foram preparados. Para eles, ir ao médico e falar com um policial, por exemplo, é muito complicado. Eles acabam tendo que depender de alguém porque as pessoas geralmente não falam libras”, conta. Por isso, a professora reafirma a importância de projetos e inovações nesta área. “Uma palavra define esse tipo de ação: inclusão. Essa inclusão que eu digo significa olhar para todos, inclusive os ouvintes. São poucas escolas que ensinam essa língua. Essa tecnologia pode facilitar a interação social entre todas as pessoas de forma incrível”, finaliza.

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